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http://www.flickr.com/photos/samyjepp/
BJUS GALERA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Fotografia é minha vida!
"Fotografar é uma maneira de ver o passado. Fotografar é uma forma de expressão, o "congelamento" de uma situação e seu espaço físico inserido na subjetividade de um realismo virtual. Fotografar é um modo de comunicar e informar. Seguindo o raciocínio, a linguagem visual fotográfica além de ser mais forte não é determinada por uma língua padrão, não precisando assim de uma tradução, uma vez que o diferem são as interpretações." (desconheço o autor)"
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Poses para Fotos – Dicas

Acredito que eu não seja a única neste planeta que fica todo envergonhado e sem jeito na hora de fotografar.
Não consigo sorrir, fico com cara de sono, enfim, fico simplesmente horrível nas fotos, tiro 20 fotos para escolher uma que eu goste!
E você que é fotogênica ou fotogênico, quais são os segredos para ficar legal na foto? Sem parecer com carinha de sono ou cara de ontem?
E claro sem precisar usar photoshop para acertar as fotos.
Abaixo algumas dicas para que suas fotos saiam legais
- Seja espontânea
- Faça poses naturais sem forçar a barra
- Tire fotos com poses bem malucas
Para a galera jovem fica bonitinho tirar fotos com ursos de pelúcia, fantasias, com chiclete, pirulito, com comida, de costas, em pé, sentada, deitada, mostrando a língua. Não faça a mesma pose em todas as fotos, e não faça pose e nem tire fotos com roupas vulgares! - Tire fotos com roupas muito coloridas, azul, vermelho, amarelo, verde!
Não tire milhões de fotos com a mesma roupa, varie! - Tirar fotos em grama, ou lugares que tem bastante verde é ótimo!
- Tire fotos ao ar livre, na escola, no shopping, no parque, você que escolhe!
- Não tire muitas fotos com o mesmo cabelo!
- Varie, com chapinha, tranças, solto, preso, flor no cabelo.
- Mas não exagere, pois pode ficar estranha!
- Não tire fotos escuras
- Mostre bem seu rosto em suas fotos
- Tire fotos com óculos e acessórios em geral.
- Meio rosto também fica legal
- Pulando na grama e piscina
- Deitada no chão, pegando apenas o corpo.
- Fotos engraçadas estão super na moda.
- Procure se arrumar bem e fazer poses diferentes.
Fazendo caras e bocas, se sentindo bem, o que importa é a atitude.
Pegue a máquina e boas poses!
http://www.sempretops.com/dicas/poses-para-fotos-dicas/
Os melhores filmes românticos...

Com Mandy Moore e Shane West.
Sinopse: Essa é a comovente história de Landon, o rapaz mais popular da escola. Desajustado e agressivo, ele se apaixona por Jamie, uma menina que vive em outro mundo. Filha do pastor da pequena cidade, é estudiosa e compenetrada. Jamie nunca imaginou conversar com Landon, quanto mais se apaixonar perdidamente por ele. Mas o destino que os uniu, vai também lhes pregar uma peça. O lindo romance entre Landon e Jamie será um amor para recordar..."Um Amor para Recordar" é o "Romeu e Julieta" do Século 21. Um filme inesquecível que merece ser descoberto.
Melhor música: Cry - Mandy Moore
Melhor frase: "O amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir!"

Com Orlando Bloom e Kirsten Dunst
Sinopse: Jovem perde o emprego e a namorada quase que simultâneamente à notícia da morte do pai. O suicído chega a ser considerado, mas ele deve voltar à sua cidade natal, a pequena Elizabethtown, para o funeral. Ainda no avião ele conhece e se apaixona pela aeromoça, surgindo daí um romance que ajudará o rapaz a colocar sua vida nos eixos novamente.
Melhor música: U2 - Pride (In The Name Of Love)
Melhor frase: "Entregue-se a esses 5 minutos de tristeza deliciosa. Abrace-a, curte-a, descarte-a... e prossiga."

Com Hilary Swank e Gerard Butler
Sinopse: Holly Kennedy é casada com Gerry, um irlandês engraçado por quem é completamente apaixonada. Porém quando Gerry morre devido a uma doença a vida de Holly também acaba, já que ela entra em profunda depressão. Mas o que ela não esperava era que, imaginando que isto poderia acontecer, Gerry deixou para ela diversas cartas antes de morrer. Cada uma delas busca guiar Holly no caminho de sua recuperação, não apenas da dor pela sua perda mas também de sua própria redescoberta.
Melhor música: Same Mistake - James Blunt
Melhor frase: "Você foi minha vida, mas eu fui apenas um capítulo da sua, haverá mais...!"

Com Kate Winslet, Cameron Diaz, Jack Black e Jude Law
Sinopse: Iris Simpkins (Kate Winslet) escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper (Rufus Sewell), mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods (Cameron Diaz), dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan (Edward Burns) não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas, com Iris conhecendo Miles (Jack Black), um compositor de cinema que trabalha com Ethan, e Amanda se envolvendo com Graham (Jude Law), irmão de Iris
Melhor música: The Killers - Mr. Brightside
Melhor frase: "Mesmo você sabendo que ama a pessoa errada, tem esperança de estar errado, então qualquer atitude positiva que ela fizer vai fazer você esquecer o quanto ruim essa pessoa é para você... "
Com Rachel McAdams e Ryan Gosling
Sinopse: Numa clínica geriátrica, Duke, um dos internos que relativamente está bem, lê para uma interna (com um quadro mais grave) a história de Allie Hamilton (Rachel McAdams) e Noah Calhoun (Ryan Gosling), dois jovens enamorados que em 1940 se conheceram num parque de diversões. Eles foram separados pelos pais dela, que nunca aprovaram o namoro, pois Noah era um trabalhador braçal e oriundo de uma família sem recursos financeiros. Para evitar qualquer aproximação, os pais de Alie a mandam para longe. Por um ano Noah escreveu para Allie todos os dias mas não obteve resposta, pois a mãe (Joan Allen) dela interceptava as cartas de Noah para a filha. Crendo que Allie não estava mais interessada nele, Noah escreveu uma carta de despedida e tentou se conformar. Alie esperava notícias de Noah, mas após 7 anos desistiu de esperar ao conhecer um charmoso oficial, Lon Hammond Jr. (James Marsden), que serviu na 2ª Grande Guerra (assim como Noah) e pertencia a uma família muito rica. Ele pede a mão de Allie, que aceita, mas o destino a faria se reencontrar com Noah. Como seu amor por ele ainda existia e era recíproco, ela precisa escolher entre o noivo e seu primeiro amor.
Melhor música: I'll Be Seeing You - Jimmy Durante
Melhor frase: "O melhor amor é aquele que acorda a alma e faz com que avancemos. Aquele que planta um fogo em nosso coração e trás paz a nossa mente. É isso que você me dá..e é isso que quero dar a você!"
Bom, se vocês não tiverem nada para fazer no fim de semana. Prepare os lencinhos e alugue um desses filmes ou todos, se quiserem! Me contem, faltou algum na lista? :)
http://www.heycute.com.br/2010_05_01_archive.html
Que pose eu faço?
Tem gente que ama tirar fotos de tudo: de si mesmo, de paisagens, bichos, flores... E nem todo mundo tem aquela criatividade incrível pra tirar fotos fazendo várias poses, de vários jeitos diferentes. Tava aqui procurando no google um site com dicas pra melhorar a qualidade das minhas fotos e achei uma página muito fofa que mostra váárias poses de fotos, feitas por meninas asiáticas.
As poses são inspiradas em mangás e é tão fofo, mas tão fofo, que dá vontade de ir tirar um monte de fotos na hora!
Para se inspirar, é só visitar o site: http://asianposes.com/
http://www.heycute.com.br/2010_05_01_archive.html
O Corpo na Fotografia : anotações
Wilton Garcia
Muito mais que criar a possibilidade de emanar erótica e desejo, o corpo torna-se a chave enigmática que suspende direcionamentos conceituais na fotografia.
Da poética à estética, a impressão visual do corpo é resgatada pelo registro fotográfico. Diante do ato fotográfico, a imagem corpórea equaciona a vivacidade humana e potencializa um resultado peculiar e satisfatório. Mas, como pensar o corpo na fotografia contemporânea perante as novidades tecnológicas? Mais que isso: quais perspectivas que associam o corpo como objeto/produto no mercado de consumo de bens e serviços? Como a energia corporal poderia ser captada pela máquina fotográfica?
Baseado nesses pressupostos, este texto pretende abordar algumas anotações acerca de o corpo na fotografia, cujo enfoque trata do contemporâneo. São anotações que fazem emergir um debate crítico e propõe, de certo ponto de vista, uma possível atualização de leitura acerca da fotografia. Procuro destacar as noções de flexibilidade e deslocamento – diluídas ao longo deste texto – como alicerces das diferentes produções de conhecimento, ao remeto a um olhar investigativo sobre a pesquisa da fotografia contemporânea. Realizo uma reflexão exemplificada por um breve panorama de minha experiência profissional como artista visual e pesquisador, na tentativa de contribuição sobre a fotografia atual.
Neste debate, os estudos contemporâneos são eleitos como eixo teórico-metodológico (Bhabha, 1998; Canclini, 1998; Eagleton, 2005; Gumbrecht, 1998; Hutcheon, 2000; Maturana, 1997) para fundamentação argumentativa. Tais estudos pesquisam as atualizações de conceitos e críticas, que se organizam mediante a produção de atualidades e vasculham uma (re)dimensão teórica e política, associada ao sistema flexível da linguagem – variações de cultura e representação (Garcia, 2005). As atualizações esboçam a área dos estudos contemporâneos em sua intensidade descritiva, quando aciona um olhar investigativo sobre as inovações no discurso contemporâneo.
Expectativas Corporais
Há uma matiz de resultados fascinantes entre a luminosidade da pele e o deslocamento do corpo que impera sobre a (des)construção de uma imagem técnica – armada pelo aparato fotográfico. É nesse encontro efusivo que o corpo passa a ser (re)tratado pela fotografia contemporânea. Registro da atividade humana, o corpo pode vivenciar uma potencialidade visual que a fotografia tenta documentar. O corpo é um assunto emergente na agenda contemporânea (Idem, 2006).
A noção de corpo, aqui, é elencada como dispositivo visual contemporâneo, cuja imagem corporal é absorvida pela fotografia. Com isso, desdobramentos poéticos e estéticos de afetividades, experiências e subjetividades transversalizam “novos/outros” produtos simbólicos e culturais no âmbito da arte, da comunicação e do design. A fotografia transita pelas malhas intertextuais de arte, comunicação e design. E o corpo, inevitavelmente, agora é abordado como superoferta imperdível do espetáculo vigente, ao se instaurar diante da metamorfose vital dos objetos midiáticos e mercadológico. Corpo mais que contemplado mostra-se como peça de consumo pela/para a fotografia!
De fato, as (inter)mediações do corpo na fotografia incorporam uma variante flexível de informações visuais intensas de subjetividade, cada vez mais complexa pela entrecruzamento de uma ação crítico-criativo.
Simultaneamente, é trazer à tona na arena da fotografia contemporânea uma antiga discussão que aproxima e, ao mesmo tempo, distancia prática da teoria ou vice-versa. Algo que enuncia, conceitualmente, a prática e a teoria.
Ou seja, é algo que oscila, constantemente, como o pêndulo de Michel Foucault. Acredito que, a questão da criação coabita uma leitura crítica interdisciplinar entre prática e teoria. Criticar e/ou criar são elaborações competentes e habilidosas que, tranqüilamente, permeiam um ambiente atualizador entre corpo e fotografia.
Nota-se que teoria e prática estendem saber e fazer. Elejo, portanto, a ação crítico-criativa como extensão de interstícios entre o saber e o fazer fotográfico, ainda mais ao ter o corpo como dispositivo visual-temático. Saber e fazer são duas etapas distintas, porém contingenciais, que se acoplam para se tornarem complementares. Neste bojo, a inscrição do corpo na fotografia, hoje, ocorre a partir de diferentes camadas de processamento tanto do ato crítico quanto do critavo.
O somatório desse processo (re)vela resultantes subjetivas que atualizam as (de)marcações do corpo na fotografia contemporânea. Tomo o ato criativo da fotografia como instância gerativa deste debate crítico, a fim de desenvolver uma leitura sobre a produção contemporânea.
Em meus trabalhos como artista e pesquisador, por exemplo, utilizo o corpo como tema recorrente de criações visuais e investigativas para abarcar o viés da ação crítico-criativa exposta na contemporaneidade. Corpo, estrategicamente, apontado em suas extensão discursiva da fotografia enquanto condição visual. Tento gerenciar minha experiência tanto ao lidar com o ato criativo de fotografia, vídeo e imagem digital como o texto crítico. Fico alerta à compreensão de estratégias visuais que possam ser abarcadas pelo discurso contemporâneo, uma vez que lido com questões técnicas e conceituais sobre o processo de criação. Penso na natureza visual do código imagético que absorve a influência da cultura digital.
Construção de “realidades”
Thiago Casoni
Desde o aparecimento da perspectiva unilocular no Renascimento, o homem procura colecionar os momentos passados de sua história. Nada poderia passar despercebido. Tudo deveria ser documentado com veracidade. A partir das transformações históricas promovidas pela burguesia capitalista do século XIX, uma nova realidade surgia como uma espécie de novo código cultural. A representação ilusória de uma genérica profundidade de campo engatinhava como um invento científico de vanguarda. Posteriormente, a fixação do espaço físico antes tridimensional numa superfície plana e bidimensional demonstrava que o capitalismo já caminhava a passos largos na busca da “objetividade” imagética, ou seja, no descobrimento marcante da chamada fotografia.
O que conhecemos atualmente como máquina fotográfica, nos tempos mais remotos, ostentava o singelo nome de câmara escura. O aparato tecnológico era uma espécie de cubículo cuidadosamente vedado com apenas um pequeno orifício pelo qual penetravam os raios de luz refletidos a partir do objeto retratado. O reflexo invertido na parede oposta da câmara nada mais era do que a própria projeção desses raios na forma da representação fotográfica, que foi utilizada pela primeira vez pelo francês Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833), em 1826.
O nascimento do advento imagético no século XIX reiterava a lenda do discurso mimético, o qual tratava a imagem como um simples espelho do real. “A utilização da máquina como mediadora dessa tarefa marcou o aparecimento da fotografia e favoreceu a realização do seu propósito, de maneira até então nunca imaginada, uma vez que para a sociedade capitalista do século XIX a máquina era sinônimo de imparcialidade e precisão científica.” (COSTA, 2004, p.17) Esse registro do ‘real’, amparado num procedimento mecânico, possibilitava, a partir de uma matriz negativa, produzir cópias positivas com inúmeras reproduções portando a mesma qualidade da matriz. Com efeito, esta primária preleção sobre o invento preconizava que a imitação mais perfeita do fato conseqüentemente culminaria na melhor foto.
Por esta razão a fotografia foi considerada mera cópia do real ou simples documento. O seu estatuto existencial era tido como científico, sua vida estética negada. Na sociedade racionalista do século XIX, em que a arte e a ciência viviam em universos distintos, a aceitação da cientificidade da fotografia impedia a percepção da estrutura ideológica da imagem, negando a intervenção humana no resultado final do processo fotográfico (COSTA, 2004, p.17).
Foi só a partir do século XX que a chamada visão fotográfica aflorou na constituição do material imagético. Como condição inevitável de uma transformação social, ela tornou-se necessária como uma nova percepção. Ou seja, um olhar mediado por um estreito visor retangular. Assim, tudo o que é reduzido em forma de imagem não necessariamente comprova uma verdade coletiva e absoluta. Em meio a um lento processo de legitimação do verídico, cada observação da realidade passada também produz, num segundo momento, novas fotografias, as quais se configuram como cenas imaginárias dentro do intelecto do fotógrafo.
A visão fotográfica, quando se examinam suas aspirações, revela-se sobretudo na prática de um tipo de visão dissociativa, um hábito subjetivo reforçado pelas discrepâncias objetivas entre o modo como a câmera e o olho humano focalizam e julgam perspectiva. Essas discrepâncias foram bastante notadas pelo público nos primeiros tempos da fotografia (SONTAG, 2004, p. 114).
Estas observações subjetivas pertencem à chamada primeira realidade. Configuram-se como um momento prévio em que o fotógrafo elabora o projeto de construção do seu artefato imagético, visualizando a suas reproduções antes mesmo do ato do registro. Nesse sentido, a chamada primeira realidade é um tempo bruto, brusco e até certo ponto incronometrável, onde o fotógrafo mistura as suas camufladas intenções com o expoente estético do seu referente. É baseada nesta ambigüidade entre o material e o imaterial que a imagem genérica transcende para uma outra dimensão, a realidade do documento/expressão.
SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Editora Schwarcz, 2004. 223p.
COSTA, Helouise. A fotografia moderna no Brasil. São Paulo: Editora Cosacnaify, 1995. 221p.
O que conhecemos atualmente como máquina fotográfica, nos tempos mais remotos, ostentava o singelo nome de câmara escura. O aparato tecnológico era uma espécie de cubículo cuidadosamente vedado com apenas um pequeno orifício pelo qual penetravam os raios de luz refletidos a partir do objeto retratado. O reflexo invertido na parede oposta da câmara nada mais era do que a própria projeção desses raios na forma da representação fotográfica, que foi utilizada pela primeira vez pelo francês Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833), em 1826.
O nascimento do advento imagético no século XIX reiterava a lenda do discurso mimético, o qual tratava a imagem como um simples espelho do real. “A utilização da máquina como mediadora dessa tarefa marcou o aparecimento da fotografia e favoreceu a realização do seu propósito, de maneira até então nunca imaginada, uma vez que para a sociedade capitalista do século XIX a máquina era sinônimo de imparcialidade e precisão científica.” (COSTA, 2004, p.17) Esse registro do ‘real’, amparado num procedimento mecânico, possibilitava, a partir de uma matriz negativa, produzir cópias positivas com inúmeras reproduções portando a mesma qualidade da matriz. Com efeito, esta primária preleção sobre o invento preconizava que a imitação mais perfeita do fato conseqüentemente culminaria na melhor foto.
Por esta razão a fotografia foi considerada mera cópia do real ou simples documento. O seu estatuto existencial era tido como científico, sua vida estética negada. Na sociedade racionalista do século XIX, em que a arte e a ciência viviam em universos distintos, a aceitação da cientificidade da fotografia impedia a percepção da estrutura ideológica da imagem, negando a intervenção humana no resultado final do processo fotográfico (COSTA, 2004, p.17).
Foi só a partir do século XX que a chamada visão fotográfica aflorou na constituição do material imagético. Como condição inevitável de uma transformação social, ela tornou-se necessária como uma nova percepção. Ou seja, um olhar mediado por um estreito visor retangular. Assim, tudo o que é reduzido em forma de imagem não necessariamente comprova uma verdade coletiva e absoluta. Em meio a um lento processo de legitimação do verídico, cada observação da realidade passada também produz, num segundo momento, novas fotografias, as quais se configuram como cenas imaginárias dentro do intelecto do fotógrafo.
A visão fotográfica, quando se examinam suas aspirações, revela-se sobretudo na prática de um tipo de visão dissociativa, um hábito subjetivo reforçado pelas discrepâncias objetivas entre o modo como a câmera e o olho humano focalizam e julgam perspectiva. Essas discrepâncias foram bastante notadas pelo público nos primeiros tempos da fotografia (SONTAG, 2004, p. 114).
Estas observações subjetivas pertencem à chamada primeira realidade. Configuram-se como um momento prévio em que o fotógrafo elabora o projeto de construção do seu artefato imagético, visualizando a suas reproduções antes mesmo do ato do registro. Nesse sentido, a chamada primeira realidade é um tempo bruto, brusco e até certo ponto incronometrável, onde o fotógrafo mistura as suas camufladas intenções com o expoente estético do seu referente. É baseada nesta ambigüidade entre o material e o imaterial que a imagem genérica transcende para uma outra dimensão, a realidade do documento/expressão.
SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Editora Schwarcz, 2004. 223p.
COSTA, Helouise. A fotografia moderna no Brasil. São Paulo: Editora Cosacnaify, 1995. 221p.
http://www.fotografiacontemporanea.com.br/artigo.php?id=27
A Linguagem da Fotografia Clovis Loureiro
Ver é um ato intencional e criativo, exige vontade e motivação interior. Geralmente os fotógrafos são pessoas que se deleitam com o ver. Ver com profundidade significa compreender. Alguém caminha por uma ampla calçada a beira mar, numa tarde serena. De repente, vê à sua frente um banco vazio, umas pedras emergindo da água e uma pequena árvore seca que, desde o ponto de vista em que se encontra, estão harmoniosamente dispostas no espaço. ( fotografia 1) Ele compreende que aquela imagem é ele mesmo naquele momento, é aquela tarde, é aquela experiência. Isto é a fotografia. A experiência pode adquirir graus cada vez maiores de complexidade, ou pode ser simples como um sorriso. E desta maneira variam as fotografias. Então tudo o que temos a fazer é, basicamente, desenvolver a nossa observação, afirmar a nossa atenção. É graças a curiosidade, à observação minuciosa e uma certa engenhosidade no olhar que se chega à percepção de imagens significativas. Estar alerta é importante. Estar presente. Se estamos perdidos em pensamentos, a realidade (pelo menos a visível) se nos escapa dos olhos. E da câmera. A fotografia é enfim a testemunha da qualidade do nosso ver. Não vemos, porém, apenas com os nossos olhos. Podemos fazê-lo com a totalidade do nosso ser. Ver é sempre dinâmico. Reconhece e descobre objetos. Cria relações e atribui significados. Projeta nossas fantasias, evoca nossos sentimentos e provoca reações. Reagimos: fotografamos. A cada maneira de ver corresponde uma linguagem fotográfica, e a parte `a limitação da necessidade do mundo se manifestar a nossa frente, suficientemente iluminado, para que o fotografemos, não há limites para a linguagem fotográfica. Sempre inventamos novas maneiras de ver. A fotografia nasce da capacidade de maravilharmo-nos, de encontrar sentido, de deixarmo-nos tocar por aquilo que vemos. Como já afirmaram muitos fotógrafos não há nada a fazer, a não ser estar presente, estar aberto ao mundo sentir-se implicado com aquilo que se vê. Fotografia é imagem. Mas não apenas. Ela é o tempo detido, é a memória. É a evidência da luz que incidiu sobre um objeto específico, num lugar específico, num momento específico. Se por um lado isto soa como uma limitação, por outro é o próprio mistério da fotografia. Aquilo que vemos numa foto aconteceu. Às vezes de uma maneira que não sabemos como ou porque a fotografia não explica. Mas aqueles objetos e pessoas que se gravaram sobre o filme e hoje são imagens, ontem existiram. É isso que estimula nossa imaginação. Fotografia é a linguagem do inesperado, boas fotografias não acontecem toda hora. A fotografia é um encontro. Eis o seu sabor. Um encontro entre o fotógrafo e o momento. Uma cena e o seu reconhecimento. A fotografia trabalha com o acaso e se vale da intuição. Assim se realiza o encontro. Tudo o que queremos ao tirar fotografias é compartilhar nossa visão do mundo e nossa sensibilidade à vida como os outros. É como dizer: olha só aquilo! E aí está todo o significado. Não há mais nada a explicar. Nada a acrescentar. O resto é por conta de quem observa a fotografia. Num mundo tão inflacionado de imagens, a maioria delas arrogantes e fetichistas, quando não simplesmente sensacionalistas, por que não nos abrirmos àquelas fotografias sensíveis e reveladoras, cheias da autenticidade de quem se sente comprometido com a vida?
http://www.fotografiacontemporanea.com.br/artigo.php?id=24
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