Fotografia é minha vida!

"Fotografar é uma maneira de ver o passado. Fotografar é uma forma de expressão, o "congelamento" de uma situação e seu espaço físico inserido na subjetividade de um realismo virtual. Fotografar é um modo de comunicar e informar. Seguindo o raciocínio, a linguagem visual fotográfica além de ser mais forte não é determinada por uma língua padrão, não precisando assim de uma tradução, uma vez que o diferem são as interpretações." (desconheço o autor)"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pin-up

Pin-up

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Fotografias de pin-ups na revista estadunidense Yank, the Army Weekly.
Uma pin-up é uma modelo cujas imagens sensuais produzidas em grande escala exercem um forte atrativo na cultura pop. Destinadas à exibição informal, as pin-ups constituem-se num tipo leve de erotismo. As mulheres consideradas pin-ups são geralmente modelos e atrizes.

 Histórico


Pin-up de Patrick Hitte.
Pin-up também pode se referir a desenhos, pinturas e outras ilustrações feitas por imitação a estas fotos. O termo foi documentado pela primeira vez em inglês em 1941; contudo, seu uso pode ser rastreado pelo menos até a década de 1890. As imagens “pin up” podiam ser recortadas de revistas, jornais, cartões postais, cromo-litografias e assim por diante. Tais fotos apareciam freqüentemente em calendários, os quais eram produzidos para serem pendurados (em inglês, pin up) de alguma forma. Posteriormente, posters de “pin-up girls” começaram a ser produzidos em massa.
Muitas “pin ups” eram fotografias de celebridades consideradas sex symbols. Betty Grable foi uma das mais populares dentre as primeiras “pin-ups”. Um de seus posters tornou-se onipresente nos armários dos soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Outras pin-ups eram trabalhos artísticos, freqüentemente representando versões idealizadas do que alguns imaginavam ser a representação de uma mulher particularmente atraente. Um exemplo antigo do último tipo foi a Gibson girl (garota de Gibson), desenhada por Charles Dana Gibson. O gênero também deu origem a vários artistas especializados, tais como Gil Elvgren, Alberto Vargas, George Petty e Art Frahm.
A expressão “cheesecake” é sinônimo de “foto pin-up”. O mais antigo uso documentado neste sentido é de 1934[1], antecipando-se a “pin-up”, embora anedotas afirmem que a expressão estava em uso na gíria pelo menos 20 anos antes, originalmente na frase (dita sobre uma bela mulher) “better than cheesecake” (algo como um verdadeiro pitéu).
Hoje em dia, homens também podem ser considerados “pin ups” e existem equivalentes masculinos de modelos e atores atraentes como Brad Pitt. O termo equivalente, nesta acepção, é “beefcake” (algo como bofe, em gíria brasileira).
Em anos recentes, ilustradores (a saber, Rion Vernon), têm explorado pin-ups de modo mais radical. Vernon, criador do termo "pinup toons" [1], fundiu a clássica garota pin-up com os elementos da HQ e cartoon.

Outros tipos de pin-ups

Em HQs, uma pin-up é simplesmente uma arte que ocupa uma página inteira, costumeiramente sem diálogo, que exibe um personagem ou grupo de personagens, ou um acontecimento significativo, publicado numa edição regular ou especial e que não foi pensada para tornar-se um poster.
Em publicações profissionais para fãs de filmes e séries de televisão, uma pin-up pode representar uma fotografia posada dos atores ou atrizes do assunto em pauta, mas pode também exibir cenas específicas especialmente fotografadas para fins de divulgação (os chamados stills).

Pin-ups famosas

Anos 1910 e 1920

[editar Anos 1930

Anos 1940

Anos 1950

Anos 1970

Anos 1980

Anos 2000



Pablo Picasso

“Há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”

Pablo Picasso

Tópicos dos textos de Freud

Tópicos dos textos de Freud 

(Do livro: "O mal estar da civilização", de Freud e do livro "Freud e a Cultura, de Betty B. Fuks)

1. Sonhos: a realização de um desejo não-satisfeito que acontece através do conteúdo manifesto. No entanto o significado está nos pensamentos latentes ou pensamentos inconscientes. os pensamentos inconscientes do sonho se disfarçam no conteúdo manifesto

- formas de elaboração onírica: condensação (é caracterizada pela síntese: os sonhos se apresentam breves, concisos e lacônicos); deslocamento: se caracteriza por uma transferência de intensidades psíquicas. Um elemento sem valor psíquico retira a atenção de outro verdadeiramente importante em relação ao desejo do sujeito)

* Na vida onírica a criança prolonga, por assim dizer, sua existência no homem, , conservando todas as peculiaridades e aspirações, mesmo as que se tornam mais tarde inúteis.

* Nos sonhos o inconsciente se serve, especialmente para a representação de complexos sexuais, de certo simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas.

* objeção ao fato de entender o sonho como satisfação de desejos: Freud responde: "A ansiedade é uma das reações do ego contra desejos reprimidos violentos, e daí perfeitamente explicável a presença dela no sonho, quando a elaboração deste se pôs excessivamente a serviço da satisfação daqueles desejos reprimidos."

* Simbolismo: o inconsciente se serve nos sonhos de um "simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas."

1. Sentido da vida humana: Os homens buscam a felicidade. Há dois aspectos nesta busca: um positivo: a experiência de intensos sentimentos de prazer; negativo: a ausência de sofrimento e de desprazer.

* Em outras palavras, o propósito da vida humana é o princípio do prazer. Mas a sua efetivação plena é impossível. "As normas do universo são-lhe contrárias". "Só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas."

* Se a felicidade é mais difícil de experimentar o mesmo não se pode dizer da infelicidade.

* Somos ameaçados pelo sofrimento, pelo desprazer que vem de três fontes: de nosso próprio corpo (envelhecimento), do mundo externo e de nossos relacionamentos com os outros homens. "O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro."

* formas de evitar o sofrimento:

a) manter-se à distância de outras pessoas, isolar-se; sujeitar a natureza através da ciência;

b) influenciar o nosso próprio organismo: por exemplo pela intoxicação que pode se dar através de uma droga externa ou através de reações químicas internas) "O serviço prestado pelos veículos intoxicantes na luta pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão altamente apreciado como um benefício, que tanto indivíduos quanto povos lhes concederam um lugar permanente na economia de sua libido ( = É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. É uma palavra latina que significa desejo, vontade). Porém segundo Freud "Sabe-se igualmente que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos. São responsáveis, em certas circunstâncias, pelo desperdício de uma grande quota de energia que poderia ser empregada para o aperfeiçoamento do destino humano."

c) aniquilamento dos instintos

d) SUBLIMAÇÃO: "quando se consegue intensificar suficientemente a produção de prazer a partir das fontes do trabalho psíquico e intelectual" "A tarefa aqui consiste em reorientar os objetivos instintivos de maneira que eludam a frustração do mundo externo." Seu limite: ". Contudo, sua intensidade se revela muito tênue quando comparada com a que se origina da satisfação de impulsos instintivos grosseiros e primários; ela não convulsiona o nosso ser físico." Exemplo: no campo da arte que usa muito a imaginação, a fantasia.

e) rompimento com a realidade: mas a realidade é mais forte e o desprazer e sofrimento sempre estarão presentes.

f) tentativa de obter felicidade no relacionamento emocional com os outros: busca amar e ser amado. Fazer do amor o centro de tudo. Porém: "... nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor. Isso, porém, não liquida com a técnica de viver baseada no valor do amor como um meio de obter felicidade."

g) Fruição da beleza: "oferece muito pouca proteção contra a ameaça do sofrimento, embora possa compensá-lo bastante."

CONCLUSÃO: ."O programa de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, ..., não pode ser realizado; contudo, não devemos — na verdade, não podemos — abandonar nossos esforços de aproximá-lo da consecução, de uma maneira ou de outra." Os caminhos podem ser diferentes. Depende de cada um. "O homem predominantemente erótico dará preferência aos seus relacionamentos emocionais com outras pessoas; o narcisista que tende a ser auto-suficiente, buscará suas satisfações principais em seus processos mentais internos; o homem de ação nunca abandonará o mundo externo, onde pode testar sua força"

Mas Freud diz algo importantíssimos para a psicanálise: ". Qualquer escolha levada a um extremo condena o indivíduo a ser exposto a perigos, que surgem caso uma técnica de viver, escolhida como exclusiva, se mostre inadequada. Assim como o negociante cauteloso evita empregar todo seu capital num só negócio, assim também, talvez, a sabedoria popular nos aconselhe a não buscar a totalidade de nossa satisfação numa só aspiração."

1. RELIGIÃO: Freud vê nas religiões uma fonte de promessas ilusórias à situação de desamparo originário que marca a subjetividade humana. Apelar a o Pai (Deus) significa pedir proteção contra a castração e a morte em um mundo onde a castração e a morte já estão consumadas. Freud se aproxima do adágio marxista de que "a religião é o ópio do povo"

Porém (e isto é sumamente importante) Freud não teve o objetivo de depreciar a crença religiosa mas combate o discurso religioso que se propõe a rebaixar o valor da vida deformando de forma delirante a forma do mundo real e consequentemente intimidando a inteligência humana. "A psicanálise nos ensina que as instituições religiosas, em sua grande maioria, valem-se da fragilidade do homem diante de seu próprio desamparo para fortalecer suas bases políticas. Unificam os fiéis em torno de uma verdade única, desprezam toda e qualquer expressão subjetiva e impedem o equilíbrio necessário entre o desejo do sujeito e as reivindicações do grupo social" (pág. 33, Freud e a Cultura, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro,ano 2003)

Mas Freud reconhecia a importância da religião como "uma sublimação ideal da humanidade na conquista ética e nos fundamentos da alteridade dos mais diversos povos" (op. Cit. Pág. 34)

2. AMOR AO PRÓXIMO, AGRESSIVIDADE, REPRESSÃO DA SOCIEDADE:

* Há uma oposição entre a nossa libido que quer se restringir ao amor entre duas pessoas e a civilização que exige a extensão da libido a um número maior de pessoas. "Convoca a libido inibida em sua finalidade, de modo a fortalecer o vínculo comunal através das relações de amizade. Para que esses objetivos sejam realizados, faz-se inevitável uma restrição à vida sexual."

* Por isto a sociedade emprega "métodos destinados a incitar as pessoas a identificações e relacionamentos amorosos (este é o sentido do mandamentos de amar ao próximo e até os inimigos) porque segundo Freud "... os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade."

* O fim da propriedade privada com o comunismo é a solução para acabar com a agressividade humana? Freud não acredita nisto pois "a agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas ( com a única exceção, talvez, do relacionamento da mãe com seu filho homem).

* Exemplo desta agressividade indestrutível através : Narcisismo das pequenas diferenças

+ O "Narcisismo das pequenas diferenças" está na base da formação do "nós" e do "outro". Ocorre na tensão entre povos vizinhos (por exemplo nas rixas entre brasileiros e argentinos), entre indivíduos de estados diferentes de um mesmo país (exemplo: entre cariocas e paulistas). São pequenas diferenças reais que criam impedimento para que o outro seja um perfeito semelhante. Tal fato deixa claro que o ódio não nasce da distância mas da proximidade. "É sempre possível unir um considerável número de pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua agressividade." O grupo produz seu outro partir do qual forja sua própria identidade eliminando as diferenças internas, fabricando uma unidade fictícia com o objetivo de perpetuar sua dominação. Cria-se imaginariamente um EU IDEAL. Em nome do amor à unidade, ficam abolidas as vontades individuais. O eu ideal se liga com o pai ideal na figura do Fuhrer, cuja vontade se confunde com a lei. Como no estado religioso há a ilusão de que o "líder carismático tem o poder de salvar a todos do desamparo primordial e da angústia real" assegurando "as reivindicações narcísicas de cada membro". (op. Cit. Pág. 47)

Mas isto só será possível se se eliminar ódio no interior do grupo. Então ele é dirigido contra o estrangeiro e este ódio favorece a coesão da comunidade. Ou seja, reprime-se o ódio ao idêntico a quem se ama para direcioná-lo ao outro, à alteridade. "Em nome do amor entre os membros a quem abraça, uma organização permite e incita a todos que expressem intolerância e crueldade contra os estrangeiros, aqueles que não aderem à concepção de mundo e à ideologia que ela difunde."

CONCLUSÃO: o fenômeno do narcisismo das pequenas diferenças desemboca na segregação e no racismo. "A vontade de uniformização dos indivíduos manifestada pelo nazismo, pelo fascismo e pelo stalinismo se inscreve para além da tendência de apagar a diferença no interior do grupo e passá-la para fora. Ela propõe o pior a eliminação de qualquer diferença, mesmo quando fora do conjunto" (op. Cit. Pág. 51)

Em "O mal estar na civilização" Freud alude ao fato de não ter sido por mero acaso que o sonho de um império germânico universal tenha precisado criar o anti-semitismo como seu complemento. O Reich alemão logrou instalar a segregação e a intolerância como meio de garantir o sucesso de sua unidade política.

"Obrigando o sujeito a escolher seu objeto de amor no interior do grupo, ficava abolida, de imediato, a proibição simbólica do incesto. Essa estratégia de burlar a castração imposta pela lei paterna marca um revés fundamental: a organização social fica ordenada sob a égide de um regime plantado sobre a denegação da morte e do narcisismo ilimitado." "... Uma das características da modernidade é essa tentativa de restabelecer uma figura de excesso que, oferecendo ás massas a quimera de protegê-la da castração e da morte, desenvolve em troca um poder ilimitado exercido paradigmaticamente nos regimes totalitários. Trata-se, na verdade, de uma estratégia de poder fixada na infantilização do sujeito, em sua dominação real que gera em escala coletiva a destruição e a morte" (op. Cit. Pág. 51)

O PRÍNCIPE FELIZ





Uma noite, voou sobre a cidade uma pequena Andorinha. Suas companheiras tinham partido para o Egito seis semanas antes, ela, porém, ficara para trás, pois se achava de amores com um Caniço. Vira-o logo no começo da primavera, quando voava sobre o rio, em perseguição a uma grande borboleta amarela, e sentira-se tão atraída pelo esbelto talhe dele que parara para dirigir-lhe a palavra.
– Deverei amá-lo? – disse a Andorinha, que gostava de entrar diretamente em assunto, e o Caniço fez-lhe uma profunda vênia. Pôs-se então a Andorinha a voar em redor dele, roçando a água com suas asas e fazendo tremulinas prateadas. Era sua maneira de fazer a corte e durou todo o verão.
– É uma paixão absurda – chirriavam as outras Andorinhas –. Ele não tem dinheiro e parentes não lhe faltam. (pág. 231)
[...]

– Queres vir comigo? – perguntou-lhe afinal, mas o Caniço abanou a cabeça. Era tão apegado a seu lar...
– Estivesse a zombar de mim – exclamou ela –. Parto para as Pirâmides. Adeus. (pág. 232)

[...]

– Uma vez que não tem mais beleza, não tem mais utilidade – Disse um Professor de Arte da Universidade. (pág. 238)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.

Borboletas





Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mário Quintana
http://naspaginasdospensadores.blogspot.com
 
“Não importa o quanto seja longa a jornada ou quão profunda a descida, no fim, só é preciso de um último passo. Um passo... Entre eu e a loucura. Entre a dor e o nada. Um único e pequeno passo...”. - Helen

“O que lembro é uma sensação que a realidade é fina. Acho que é fina, sabe. Fina como o gelo do lago após um desgelo. E preenchemos as nossas vidas com ruídos, luz e movimento, para esconder a finura de nós mesmos.” – Mathilda

“Estava preparada para lutar.
Não estava preparada para perder.” - Helen

Cuidar de si mesmo e da loucura





Não era mais que um indivíduo de seis anos de idade, pouco se sabia do real e das projeções psicológicas, todas aquelas imagens aparecendo junto com o som, nas badaladas do sino da igreja central, na pequena cidade povoada por italianos “sangue quente”. O som ressonava pelos ares e as crianças acordavam, e aquele indivíduo via, nos corredores de baixa luz, pessoas a caminharem pela sua casa. São assaltantes? Invasores? Passava as mãos entre a imagem incógnita que assombrava e então desaparecia. Permeava diariamente em sua mente a tentativa de significar o fato, o objeto, a cena, e a resposta ninguém conseguia conceber. Os livros, os livros não são bons ou ruins, mas bem ou mal interpretados... Misticismo, uma leitura mal feita arrasta tal indivíduo de meio metro de altura aos primeiros passos de um mundo insano, mas um mundo em que a loucura é a chave para abrir a porta que escondia todas as respostas, respostas essas que são certas e erradas, depende dos olhos que lêem, depende da percepção pessoal, depende da cultura, dos fatores externos, internos, dependência de tudo o que rodeia o sujeito e de tudo o que o sujeito rodeia. E assim nossa personagem continua e os dias passam como os segundos e de seis anos já se vê com doze e sua curiosidade a arrasta da teoria á prática e a loucura já se tornam parte do indivíduo, como um membro anatômico, a loucura pertence ao ser, assim como o ser a pertence. Dos doze anos já estamos aos dezesseis, nesse intervalo a mente insana já não armazenava nada do que era real, pois a dúvida da sua existência era a única coisa que para si parecia realmente existir, somente a dúvida, nada mais. Então ajudar a si mesmo já não era possível para nosso indivíduo, busca a ciência, os profissionais da psique, e apenas com alguns garranchos o profissional descreve, significa, define, cria e determina, esse sujeito é esquizofrênico; o uso de drogas é de emergência. O mal estar na civilização é lido perfeitamente nesse caso consumado. Um louco é uma ameaça para a sociedade, os entorpecentes denominados permitidos, legais perante a lei já não dissipam no organismo deteriorado pelos testes dos doutores da psique, esse indivíduo foi apenas uma cobaia que eles queriam sedar, mas falhou... Falha, a ciência não pode falhar, é o orgulho que está em jogo, carta, vamos para a carta, carta para uma clínica especializada em loucos, lugar em que qualquer louco se torna o além do louco, e o sadio vira suicida, o indivíduo já não responde por si mesmo, ele vegeta, sua voz não sai, dopado, sofre com o desequilíbrio da dopamina e serotonina. EFEITO, está sofrendo um efeito, de uma CAUSA, uma causa que não consegue encontrar, então tem que retornar ao passado para poder viver o presente e sobreviver projetando um futuro. Não, não deixaremos o manicômio entrar na rotina do indivíduo... Máscaras, há uma coleção de máscaras escondida dentro de cada um, o indivíduo encontra e aprende a usar e então ele se encaixa novamente na sociedade e a sociedade o aceita, mas as feridas não foram cicatrizadas, as frustrações não foram superadas e a loucura caminha ainda do seu lado, sussurrando ações prazerosas, ações banais, intui nosso indivíduo e ele finge de surdo, mas a loucura ainda está ali, esperando uma trinca na parede para invadir novamente, a loucura quer ação, quer reação... Eles negam, renunciam, rejeitam o fato, porque o único doutor da psique desse indivíduo e de tantos os outros é a própria loucura, que eles tanto faz para adormecê-la, pois não é capaz de matá-la. 

 Uma fábula sobre um pierrot contemporâneo...